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Prosa de última hora.
Máclaro! De colina em colina juntava os seus pedaços espalhados na plantação; entre as páginas. Quero-queros; pinicavam as letras e o meu sono. Me contaram que uma pessoa, no distante da cidade aprendeu a escrever numa tábua com um carvão. Creeemmm! Dizia a personagem: eu garrei uma raiva daquela dali porque enquanto velavam um conhecido meu ela ficava falando umas coisas frívolas que até agora tô pensando. Não é que eu queira falar mal, mas é difícil conviver com gente assim. Máclaro!! A vida é turbilhão.
Escrito por Mara Paulina Arruda às 20h26
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As Árvores

As árvores são públicas. Até o presente momento não se sabe se alguma dessa espécie veio reclamar em boletim de ocorrência, moveu algum processo ou outro documento o lugar que lhe apetece. Sua imagem é fotografada, desenhada e pintada. Os poetas dormem em suas sombras e os passarinhos fazem dela sua morada. Nenhum requerimento, papel timbrado – resultado de seu corpo- assinado por um de seus galhos. As árvores sendo pública vivem. E vivem enfeitando o caminho dos transeuntes. (Em seu tronco, superfície para declarações, monogramas eternos dos namorados) Quando secas (ou mesmo antes) as árvores são derrubadas. Vai-se mais uma vida! E não adiante os passarinhos voarem em círculos Para iniciar outros ninhos É espaço perdido Fim da estrada.
Escrito por Mara Paulina Arruda às 21h17
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Falaz
No tempo em que o tempo jazia lento Jeremias discutia a volta para casa. Deixe de fazer tanta fita resmungou Osvaldo. Deu-lhe uma cotovelada na alma atarantada. Um degrau a frente ele desenhava bonequinhos de palito. Não queria que soubesse o que passava dentro de si. Do pouco que me orgulho, ele dizia, esse Jacarandá não sai daqui. Fui eu que plantei. Sim, sim, eu sei que ele é matéria bruta para ressoar os acordes do violão. No espelho da penteadeira um bilhete alguém deixou. No guardanapo escrito num barzinho um poema dobrado e guardado dentro do bolso da jaqueta. Quase uma biblioteca viva, ou melhor, um sebo. Exageros a parte Jeremias esse tapado ficou mastigando as letras das palavras que sussurrava da vizinhança de Cecília. Não era a poeta. Era outra mulher. Atrás de si jangadas carregadas de madeira cujo destino era a Argentina passavam despercebidas por Osvaldo. Foi só ele Jeremias quem viu. E Cecília, que estava a poucos metros dali, e que balançou a cabeça sorrindo das crueldades e casualidades do dia.
Escrito por Mara Paulina Arruda às 17h00
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Tempo
O relojoeiro tem paciência sabe da morosidade e da velocidade do tempo passar Conhece o vagar das horas Conhece toda argúcia da mulher hora Conhece cada ponteiro das horas Foram-se no limiar, romances vividos.
Escrito por Mara Paulina Arruda às 21h27
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Parecer
Fazem malabarismo com bolas na sinaleira. Brincam com fogo. Rosto pintado de branco. Piercings nos lábios e nas sobrancelhas. Boné na cabeça; cabelos compridos. Tatuagens nos braços e nas pernas. Botas de cano alto preta. Falando um castelhano esquisito. Esmolam. O mais quieto deles tem pouca idade; sobre os ombros uma mochila com roupas, panelas e outras quinquilharias. Clowns parecem engraçados quando se trata de sobreviver.
Escrito por Mara Paulina Arruda às 20h43
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Meu segundo livro.

Escrito por Mara Paulina Arruda às 21h12
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Evocação
A chuva chegou sem muito barulho. Via-se apenas uma ou outra trovoada esparsa. Era cedo. E comparei-a com um amor que tive- belo romance!- Este chegou como quem não quer nada e foi tomando o meu coração e o meu mundo. Agora, estou aqui com o rosto na vidraça, Dom Quixote embaixo do braço e essa saudade que mata, feito nuvem que o vento arrasta, se mexendo com o temporal que vai desabar daqui a pouco.
Escrito por Mara Paulina Arruda às 12h51
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O Recomeçar.
Estava com o rosto todo costurado decorrente de brigas as mais variadas, nas ruas. Não porque queria, mas porque a vida assim exigia. O fato era que queria mudar essa razão desrazão. Ora vá será possível que um homem só queira brigar? Que nos seus desejos a única importância seja a guerra? E a vida? Perguntou-se num dia no reflexo da poça d’água. Como analisar essa demanda de si mesmo no percurso de si? Eis ai uma questão para um filósofo responder no meio da tormenta. Tormenta do dia-a-dia. E ali, correndo pra se proteger de granizo e de ventos contrários o seu jeito um tanto quanto agressivo mostrava o corpo e os olhos dela, Mariângela, dependurada na janela. Feche isso daí! Ele gritou pra ela. Ela, meio a contragosto demorou um pouquinho, mas fechou a dita janela. Ora! Quem ele pensa que é? Ele, juntou o restante das sementes que vinha socando na terra. E cantando sorriu para que os ventos trouxessem uma nova safra. Com a enxada nas costas dirigiu-se para a casa dela.
Escrito por Mara Paulina Arruda às 18h08
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Quando tu flores Além da lua O mar ecoa pedras Os planetas como fios Em universo: perfume.
Escrito por Mara Paulina Arruda às 17h36
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Intrínseco
Esqueça! Em nenhum lugar do mundo as coisas serão perfeitas. Não senhor. E daí vou te contar que vi ontem pela manhã uma mulher protegendo uma criança com uma jaqueta de nylon. A criança tinha nas costas uma mochila. E a mulher puxava-a pela mão. Estavam no abandono da rua. Vida real. Século XXI. Agora, o interessante é que havia nobreza na cena. O rosto e a postura da mulher não provocavam piedade ou mesmo outro sentimento. Olhos puxados,cabelos presos, roupas simples. Era quase uma pintura. E o meu vocabulário, aprendiz das coisas da vida, incapaz de traduzir.
Escrito por Mara Paulina Arruda às 10h10
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Rodeios...
Eu não entendi bulhufas do que ele disse. Era um bolouboloubolou e um vrrrrruuuummmm vvrrrruuuummm, mas ele dizia. O quê? Sei lá. Parece que ele queria dizer que estava acontecendo na cidade uma virada. Na beira do rio Uruguai? E assim foi até o fim de semana. Ele dava uma viravolta na cozinha e ia pra rua. Depois de duas horas voltava. E voltava pra casa com a cabeça cheia de minhocas começando tudo de novo bolouboloubolou vruumvrrummm. Mas o que é isso? diziam as pessoas que não entendiam nada. Nada a vê! Qual será a parte que eu perdi? Mil vezes me perguntei. E isso continuou durante quase uma semana de tardes angustiadas com ele que falava e ninguém entendia o que o bendito queria transmitir. Até que no domingo, o pai deu um ultimato e, saiu a coisa: a gata tinha tido uma ninhada. Ahmeudeus porque não disse logo?? Eu aqui me matando de tanto pensar... Então ele ajeitou os cabelos longos, cacheados e pretos e saiu assobiando um blue enquanto a gata puxava gato a gato pra sacada.
Escrito por Mara Paulina Arruda às 20h01
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Poesia de Aniversário
Clareia Como a luz do sol espalhada no castanho do teu olhar Minha língua lambe o sal na sua pele - grãos invisíveis- É o mar Planalto Como a luz do sol Luz que perpassa entre araucárias Translúcidas jades Réstias no transcurso do rio
Uni-versando Crinas líquidas e mar.
Escrito por Mara Paulina Arruda às 14h57
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A ciência de Maria Eduarda.
Quando souberam que o esqueleto de um bem-te-vi estava na casa de Maria Eduarda foi uma falação sem fim. As formigas encordoaram-se para aquela direção; grilos e cigarras, abelhas prontificaram-se para iniciar uma colméia e nem sei mais que insetos seguiram para a casa dela. Os pássaros confabularam que a estratégia era fazer ninhos na redondeza e ter olhos afiados. Haveria vigília. Os bichos maiores gatos e cães teriam a atenção redobrada. O cão na porta e o gato perto do esqueleto guardando o silencio. E Maria Eduarda? Maria Eduarda perguntava como foi que isso aconteceu e estudava um jeito de conservar aquela preciosidade para a próxima geração.
Escrito por Mara Paulina Arruda às 19h51
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Quando há uma vontade,desenha-se um caminho. (Provérbio inglês)

Escrito por Mara Paulina Arruda às 12h20
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A pesca
Seu José jogou a tarrafa no rio onde não havia quase peixe. Esperou. Esperou. Nada de peixe. Ergueu a rede e foi secar no verde. Depois de novo. Abriu a tarrafa, fez pose e no ar fez-se saia. Nenhum peixe. Veio de lá Maria Clara. Perguntou pra seu José: Quadê peixe? Não se aperreie moça bonita. Vim buscar foi sereia!
Escrito por Mara Paulina Arruda às 21h10
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