Blog de mp-arruda/ Achados e Perdidos- Contos recontados.
  Georgia

 


Quem foi que fez Geórgia chorar? Ela fazia desenhos em nanquim. Do nada começou a derramar suas lágrimas sobre o papiro. Pus-me a lamentar.  Foi um raio de vento disse-me um dos seus amigos. Ânforas recolheram suas lágrimas. Sai me quebrando a procura de quem tinha feito Geórgia chorar, prometendo que aos deuses eu iria contar. Surgiram hipóteses: a perda de um dos seus brincos ou um amor quebrado. Será que foi Ajax que não a deixou sossegar?  Relevos no palácio... pistas... Estou a procurar.


 



Escrito por Mara Paulina Arruda às 20h58
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  Algodão doce

João do céu era o seu codinome.  Ele vivia no corredor da BR 101. Incontáveis foram as noites que ele dormiu no túnel!  Carregava numa mão uma placa, que ele mesmo fez de papelão : VENDE-SE. Na outra mão levava um cabide em que ele amarrava algodão doce. Sonhava.

 



Escrito por Mara Paulina Arruda às 17h46
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  Reiniciar

 

-Mãe, do que você brincava quando era criança?

A mãe, nos seus afazeres sorriu e disse estar com pressa.

O menino insistiu:

-Mãe você brincava, normal, assim como nós?

-Menino (a mãe brava responde enquanto se arruma) sim, brincava de Amarelinha, pega-pega, pulava corda e ciranda...

-Mãe por existe guerra?

-Tá difícil hoje, hem? Menino, tu não tens o que fazer?

-Mãe fica longe Aleppo?

-Meudeusdocéu! ( ela se abaixa,  pergunta porque ele quer saber...)

-Tem criança de montão por lá  que está sem mãe, vamos buscar um?

 

 



Escrito por Mara Paulina Arruda às 17h15
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  Fios

 

Gaivotas pousam nas pedras para buscar nos musgos apetitosas iguarias.

As sardinhas conversam futilidades nas primeiras horas do dia enquanto os guris tremulam suas pipas no morro da caixa.

Nos telhados  eles se encontram:

As gaivotas com os peixes na boca e os guris puxando os fios.

 

 

 



Escrito por Mara Paulina Arruda às 10h04
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  Curso

 

Orlando, um fazedor de pontes analisava as vigas recém cobertas com a massa de cimento.

Relembrava que, desde criança, quis ser o que é.  E dando voltas pela construção da ponte concluiu que depois de uma boa tinta a ponte estaria pronta para os turistas fotografá-la.

Nas caminhadas que fazia pelo bairro aonde mora comparava suas pontes com as pontes que Pierre-August Renoir imortalizou. Sorria juntando as mãos num gesto de reverência.

O percurso da vida: As condições econômicas; a solidão; o sofrimento; as alegrias; o amor.

A vida é tudo isso ou tudo somado são as pontes que se tem que passar?

 

 

 



Escrito por Mara Paulina Arruda às 09h48
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  60 minutos

Ingrid corria. Não vai dar tempo.  A vida transformada num mundo mecânico.Não vai dar tempo. O relógio no pulso. As pessoas passando tão apressadas quanto ela. As lembranças pipocando entre uma rua e outra. As mensagens no whatsApp. Não vai dar tempo. O olhar dele no longe daquelas lembranças. Não vai dar tempo. Dúvidas. Quantas. O vento. Táxi! O reflexo dela nas vitrines corria.Não vai dar tempo. Help!O passado no pretérito do futuro. Não vai dar tempo. Avistou uma camiseta surrada, será... No meio do trânsito maluco, Oh tempo!!



Escrito por Mara Paulina Arruda às 08h28
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  Herdeiros

 

Os pássaros saltam mais alto do que a altura total de um prédio. Principalmente os herdeiros dos dinossauros. Eles saltam. Eles pulam. Cravejam suas unhas na crosta dos seus inimigos. Eles pulam. Eles saltam. Tacam seus dentes nas asas dos outros. Eles pulam. Eles saltam. Morde quem os persegue. Ao anoitecer se recolhem aos ninhos e absorvem as sobras deste mundo inexistente. Adormecem sonhando serem bonzinhos. Ora, ora!

 



Escrito por Mara Paulina Arruda às 18h56
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  Flor da pele

Shemin, Kien, Yuan-K’i Wang viveram entre 1592 a 1715 na China. De linhagem artística desenharam e pintaram flores e cerejeiras. Comunhão com a natureza, o bailar das folhas levadas pelo vento. Nos seus ateliês estendiam a seda sobre a mesa. Riscavam com precisão os ramos das árvores, a delicadeza das flores, o movimento das estações. Posso vê-los aqui no século XXI por intermédio da imaginação. E, passeando nas ruas de New York, nos sinais de um descendente, com sua máquina fotográfica buscando a perspectiva do dia. Não há cerejeiras mas o perfume das flores ele carrega dentro de si.



Escrito por Mara Paulina Arruda às 08h11
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  Presente

 

Ela estava na praia. O contador chegou trazendo numa sacola um cachorrinho. Cheio de trejeitos disse que era um presente. Ela correu até o mar. Deu um mergulho, dois e três até suspender a respiração. Ficou tão feliz, feliz... Quando voltou a areia sacudiu o pêlo e entrou de bico na sacola.

 



Escrito por Mara Paulina Arruda às 11h35
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  Passagem

Zum! Ele enviou um coração via rede social. Ela e os moradores de rua. Dias frios. Surpresa aquele coração no meio do caos. Passaram outros. Um  abanar de mão. O reflexo no vidro. Uma mulher de cabelos pintados na superfície da tela. Um beija-flor bicou-a na sombra da janela. Zum! Viajante no ciberspaço.



Escrito por Mara Paulina Arruda às 09h05
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  Nem

Poeta, o  jardineiro gostava de pintar. Peixe esquecido. Nadou nas margens. Cidades vizinhas. Catou gravetos. Um e outro a cada ano ou dois. Muito esforço. Já disse que nadar é preciso. Ele nem era.



Escrito por Mara Paulina Arruda às 11h02
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  Retrovisor

Ela vendia Avon. A gente dela uns incompreensíveis, para não dizer outra coisa. Darwin. Evolução. Seleção natural. Caída de uma cachoeira. Tantas coisas que nem dava para explicar a si mesma, ali, dentro do taxi, no trajeto da sua casa a casa da cliente. As crianças esperavam que a noite ela chegasse recheada de pães para o café da noite. O motorista do taxi estacionou no endereço indicado. Ao sair do carro preparou-se para explicar. As mulheres; mesmo se a corrente for o seu contrário. Não se perder na estrada.

 



Escrito por Mara Paulina Arruda às 09h43
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  Espaço triangular

 

O prato estava um espetáculo. Espinhas de sardinhas se acumulavam quando a campainha soou. Quem será a esta hora? No rádio You are make Sun... Ao abrir à porta a melodia pôs-se a frente perguntando se ele era inteligente para entender do espaço que ultrapassava:

Mares, rios, canyons, estradas, montanhas, planícies, cidades, vales... simplificado numa semente.  

Sentou-se a mesa comigo.

 

 



Escrito por Mara Paulina Arruda às 14h59
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  Anéis de Saturno

 

Conheci Saturno. Ele também tinha muitos anéis. As pessoas faziam graça com o nome dele. Ele pouco importava. Estivemos juntos na rodoviária. E, falamos das nossas tolices humanas.  Conversa vai conversa vem chegamos as mandalas de Carl Gustav Jung. Ele sorrindo disse que recortou de um livro comprado no sebo. Dei-lhe um beijo. Agradeci as horas passadas com quem tem tantos anéis para dividir comigo.

Ele seguiu viagem.

 

 



Escrito por Mara Paulina Arruda às 09h36
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  Gato Angorá

 

Então aqui morou um gato?

Foi a pergunta que ela fez ao corretor.O corretor ficou sem jeito, não sabia se confirmava ou desconfirmava...Confirmou dizendo que era um gato Angorá tratado a pão-de-ló... Sim. Me parece que tinha muitos pêlos, disse a compradora do imóvel direcionando o olhar para o chão que estava coberto por um plano macio. Com cuidado passou pelo canto da sala. Abriu a janela. O vento enveredou abruptamente. Os pêlos brancos e pretos do gato voaram compondo no ar a imagem de um espírito real.

 

 

 



Escrito por Mara Paulina Arruda às 09h00
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